Em 2006 fui convidado por Bruno D’Angelo, diretor de arte e novas mídias da Abril para um projeto ousado: contar a história da imigração japonesa ao Brasil. Dali dois anos, seria comemorado o Centenário da chegada dos imigrantes no Kasato Maru. O desafio do Bruno para mim era escrever um roteiro para quadrinhos, ficção histórica, uma homenagem humilde de dois descendenrtes de imigrantes – embora italianos – a uma das culturas que mais nos influenciou como criadores.
O primeiro passo era encontrar a história e criar o modelo do livro, onde decidimos contar duas histórias: a do imigrante e a de um jovem negro brasileiro, fazendo um paralelo entre as imigraçoes voluntárias e involuntárias (movimento escravagista). Como no Japão a leitura é da direita para a esquerda, uma solução inédita apareceu: vamos contar duas histórias, cada uma começando em uma das capas do livro, e se encontrando no final… ou melhor, no centro do livro.
No decorrer da pesquisa, liguei fatos da guerra russo-japonesa do começo do século, da Reforma Meiji, que desbancou a classe samurai da elite e tantas outras coisas, como o fato de o navio Kasato Maru ter sido construido na Inglaterra, comissionado para a Rússia e capturado pelo exército japonês durante a guerra
A Fazenda Dumont, uma das que recebeu imigrantes japoneses, tinha um passado brilhante, fundada pelo pai do Pai da Aviação, Santo Dumont. O cenário da Abolição da Escravatura e a verdade de que nada havia mudado para os negros efetivamente, me levou a mostrar em paralelo as dificuldades desses dois personagens. O projeto foi endossado pela Fundação Japão e pelo Bunkyo (órgão que organizou as comemorações oficiais do Centenário) em 2007.
Na semana das comemorações no Anhembi, fomos chamados para dar duas palestras e ali recebemos um grande presente: além de ser distribuído no Japão, agora a JBC – a editora que escolhemos – lançará também uma edição exclusiva para o mercado japonês
“O catador de batatas e o filho da costureira” será lançado na Bienal de São Paulo de 2008.
Vejam a primeira página dupla da história – a imagem de divulgação do livro. E o primeiro esboço da capa.
Fui editor de quadrinhos por um bom tempo. Não só editor, mas também tradutor, revisor e, ainda, roteirista. Desde os bons tempos de Acme fazendo a Herói, passando pelo Zap! do Estadão, escrevendo boa parte da Enciclopédia Herói em CD-Rom pelo Publifolha e Trattoria di Frame, sendo editor da Vertigo no Brasil, acabei abrindo minha própria editora, a Pandora Books.
Publicar suas HQs preferidas é um presente da vida: Sin City, Planetary, Liga dos Cavaleiros Extraordinários e centenas de outros – X-Men, Spawn, etc.
Fica o prazer de ter feito a coisa certa.
Um dos roteiros mais bacanas que já escrevi foi para a coletânia californiana Gunned Down, da Terra Major. Shane, o editor caubói, deu a chance de eu e Fábio Cobiaco criarmos uma história juntos. E saiu! Down the River!
A edição também foi publicada em português meses depois pela Devir. No processo, os onze autores brasileiros – entre eles os camaradas Bruno D’Angelo, Kako, Grampá, Bá, Moon e Rafa Coutinho - tiveram a chance de fazer quadrinhos de gente grande.
Site em parceria com o Danilo, a MOJO Books virou hype e cool em questão de dias. Agora, um ano depois de lançada a idéia, já temos 56 livros em PDF e somos notadamente a primeira editora 100% digital do Brasil.
O novo site será inaugurado no começo de 2008 apresentando novos produtos e coisas ninjas.
”Se um disco virasse literatura, que história ele contaria?”
Em 2007 a produção de freelas pra Abril foi baixa, por falta do tempo consumido na Tribal e pela MOJO. Mas, mesmo assim, fiz um trabalho incrível para a Aventuras na História: a série de 4 batalhas memoráveis de Napoleão. Foram quatro meses, comemorando o aniversário da revista em setembro – com capa do Imperador – e seguindo até o final do ano. Foi um projeto ousado que uniu texto e quadrinhos, coisa que eu já havia experimentado em uma matéria sobre Rasputin em 2006. Agradecimentos especiais aos editores atuais Patrícia Heargraves e Fábio Peixoto – e ao anterior, Celsão!
As batalhas contempladas foram: Marengo, Austerlitz, Eylau e a Campanha dos 6 Dias.
Além de campanhas e sites para a Philips Brasil, em 2007 trabalhamos com o lançamento online de produtos para a Philips Global. Esses sites são traduzidos para vários países da Europa e Ásia (às vezes até 16 línguas). Escolhi este por ter sido meu primeiríssimo job na Tribal:
No Brasil, destaque especial para as campanhas em conjunto com a África – Sense and Simplicity (com Ivete Sangalo), Ambilight, Ambisound, Walita, Barbeadores, TV Digital e o Salão Perna Peluda/Garotas Satinelle. Este último contou também com vídeo.
Para a Chrysler, fizemos [a Tribal] dois hotsites muito bacanas com vídeo e outros recursos que chamaram bastante atenção do público. As metas de vendas foram cumpridas pelo HS e pelas campanhas e ainda ganhamos prêmios - Prata e bronze em Gramado – e mais alguns outros por aí
Tendo como cliente a Daimler-Chrysler, fizemos também os hotsites e campanhas dos Classes B, C, E e M Mercedes-Benz, ações e campanhas para a linha de caminhões.